Argus - O Filho do Vulcão

Há dias Argus não conseguia dormir. O estrondoso barulho do Vesúvio lhe arrancava da cama todas as noites possuído pelo pânico. Os oráculos faziam predições terríveis que povoavam a mente da população de terror e de instabilidade seus corações. Todos os dias reuniam-se ao redor do templo esperando ouvir alguma palavra de conforto, mas os graves estrondos do vulcão eram como a voz grave de um deus poderoso impondo o horror a todos. 
Os dias passavam e o medo, de tão constante, tornou-se normal. Até o dia em que os temores se concretizaram: uma nuvem negra começou a sair do Vesúvio anunciando que a morte breve era o destino certo de cada morador de Pompeia. Alguns tentaram manter a normalidade de suas vidas, esquecendo do terror que se pronunciava, mas a grande maioria escondia-se nas casas, esperando que o medo lhes poupasse a vida. 
A cada minuto a fumaça ficava mais densa e quente. O que era apenas sufocante começou a queimar como se o ar se convertesse em fogo. Respirar doía, andar era impossível e a esperança por salvação queimava como a pele dos que não se esconderam nas casas. Argus começou a ouvir os gritos de terror, os profetas desesperançosos corriam buscando perdão de seus deuses, enquanto isso, ele olhava ao seu redor, estranhando o contraste existente entre a dor dos outros e a ausência total de desconforto de sua parte. Ele não sentia dor, a fumaça cheia dos resíduos fumegantes do vulcão não lhe causava dano algum. Porquê? perguntava ele. Sentia que o calor extremo era para ele como um abraço aconchegante, que revelava que algo estava acontecendo, e que jamais seria o mesmo.

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