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Ariel Morgan

O sol brilhava e iluminava com majestade o mar da praia de Santos. O Casal Abrahan e Hannah descem do navio com o coração transbordando de esperança e tristeza, entre eles, seu filho adotivo Ariel olhava maravilhado a beleza da sua nova terra. Há muito Abrahan estava preocupado com os atentados terroristas que atormentavam a população de Tel-Aviv, o que motivou-o a abandonar a vida em Israel e mudar-se para o Brasil com sua família.

Ariel, filho de um casal nômade natural de Port Said (Egito) que o entregou a adoção por não terem como conciliar a paternidade com a vocação nômade, sentia que sua origem nômade se manifestava com um destino em mais uma mudança de endereço. Esperava que essa fosse a última vez que a violência e a intolerância o forçava a trocar de cidade, ou país. Tais mudanças nunca foram fáceis, o que moldou nele um coração rebelde, incapaz de aceitar com naturalidade a autoridade de outros. Um dia, após uma intensa briga com seus pais adotivos, decidiu fugir de casa. Correndo na direção de um terreno baldio, onde tencionava passar a noite, ao cruzar uma praça é interpelado por um homem de barba longa e escura que diz: "Da ponta de seus dedos entram lembranças e de suas unhas vem a imagem”. Assombrado, Ariel sai correndo, enquanto as palavras do desconhecido se repetiam, como um mantra, em sua mente.

Claustrospelunker


Era o dia da antiga festa do Exército Vermelho e Ana Dmitrievitch corria pelas ruas geladas de São Petersburgo enquanto alguns homens da Bratva* seguiam seus passos como se fossem uma tenebrosa sombra. Ela não entendia o que estava acontecendo, sentia as pernas fraquejarem e, atordoada, buscava imagens em sua memória tentando montar o mosaico de informações que talvez explicasse o que estava acontecendo. Enquanto corria em direção da catedral de Santo Isaque sentiu uma mão forte e aspera lhe segurando o braço, era um dos criminosos da Bratva, que empurrou contra uma parede e colocou uma pistola entre seus olhos perguntando: "Onde está seu pai?"

Ana Dmitrievitch sente o pânico tomando conta da sua mente, fecha os olhos tentando esconder de si a realidade dramática que agora é obrigada a enfrentar, nesse instante sente uma energia estranha, como um choque sem dor, tomando seu corpo. Uma energia que lhe faz perder o contato com o chão e, por um momento, todo terror se dissipa em sua mente, até que, mais calma, abre os olhos e vê o criminoso que a encurralara jogado no chão com um olhar terrivelmente apavorado enquanto repete em voz baixa: "Eu não acredito!"


*Nome dado a Máfia Russa, também conhecida como Organizatsiya.

Garuda - Uma Mitologia do Real


Existem pessoas que criam formas diferentes de se relacionar com o mundo. Enquanto umas descobrem o mundo de forma extrovertida e aberta, outras se fecham e buscam dentro de si uma forma de aprender sobre o mundo. A segunda opção foi a escolha de Garuda. Ele sempre pertenceu àquele grupo de pessoas que sentem saudade de algo que nunca viram, que buscam no passado respostas para entender o presente. Foi assim que, finelmente, entendeu quem era.

Podemos dividir a sua hitória em duas partes. A primeira foi a busca do que era, a segunda é a busca do que se tornou. Esta segunda parte começou quando, durante uma pesquisa sobre hitória da mitologia, Garuda passou a sentir mudanças em seu comportamento e seu corpo. No início, sentia-se como que facinado pelo mundo que estava descobrindo. Histórias, mitos, lendas enchiam a sua mente durante as visitas que fazia a uma biblioteca antiga da sua cidade. No entanto, ao abrir um livro empoeirado, escondido há muitos anos embaixo de uma estante, uma bactéria mutante o contaminou com uma forma diferente de ver e viver a realidade.

Descubra nos próximos posts no que Garuda se tornou.